Skip to main content

e-gov

Dissertações e Teses

Abaixo estão listadas as dissertações já defendidas no Programa de Pós-Graduação em Microbiologia e Parasitologia Aplicadas, e seus respectivos resumos, em ordem alfabética por autor.

Todas as dissertações estão disponíveis para consulta na Biblioteca do Instituto Biomédico.

 

ALYNNE DA SILVA BARBOSA

DETECÇÃO DE PARASITOS VEICULADOS PELA ÁGUA E PELO SOLO EM ALDEIAS GUARANI NOS MUNICÍPIOS DE ANGRA DOS REIS E PARATY DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, BRASIL

Orientadores: Prof. Dr. Otilio Machado Pereira Bastos
                          Prof. Dr. Valmir Laurentino da Silva
                          Co-orientador: Prof. Dr. Antônio Nascimento Duarte

Aprovada em Março de 2011.

RESUMO
A água e o solo podem veicular formas evolutivas de parasitos, representando um risco para a transmissão de bioagentes, principalmente entre populações socioeconomicamente desfavorecidas, situação comum a grande parte dos indígenas Guarani. O monitoramento de parasitos em amostras ambientais é realizado de forma precária devido à ausência de padronização de técnicas diagnósticas. O objetivo deste estudo foi detectar formas evolutivas de protozoários e/ou helmintos em amostras de água de abastecimento e solo de peridomicílios das aldeias Guarani nos municípios de Angra dos Reis, RJ (aldeia Sapukai) e Paraty, RJ (aldeias de Paraty-Mirim, Araponga e Rio Pequeno), aplicando diferentes técnicas laboratoriais. No período de fevereiro a outubro de 2010, foram coletadas 24 amostras de água nas captações das nascentes que abastecem as aldeias com filtro contendo cartucho com um Um de porosidade e 24 amostras de reservatórios d’água clorada por sifonação. As 64 amostras de solo foram obtidas por raspagem superficial com pá metálica e agregadas em “pool”. As amostras de água e solo foram processadas pelas técnicas de centrífugo-sedimentação com acetato de etila, centrífugo-flutuação com solução de sacarose para pesquisa de protozoários e helmintos e ensaio imunoenzimático para pesquisa de Cryptosporidium sp., Giardia lamblia e Entamoeba histolytica, associando-se para solo a pesquisa de larvas de nematódeos por termohidrotropismo. No período do verão observou-se maior positividade nas amostras de água, enquanto que em solo obteve-se menor positividade no inverno. Paraty Mirim e Sítio Rio Pequeno apresentaram sete amostras de água positivas com alta turbidez, sendo evidenciados: cistos de Giardia sp., cistos de amebídeos, ovos e larvas de nematódeos, coproantígenos de G. lamblia, E. histolytica e Cryptosporidium sp.. Em solo, a aldeia Sapukai obteve doze amostras positivas contendo: larvas de nematódeos, oocisto de coccídeo, cistos de amebídeos, ovos de Ascaris sp. e Trichuris sp., coproantígenos de Cryptosporidium sp. e E. histolytica. Estes resultados demonstram elevada contaminação ambiental e deficiência no tratamento da água de consumo, o que potencialmente pode gerar endemicidade de enteroparasitoses.

Palavras-chave: Parasitos. Água Doce. Solo. Aldeias Guarani. Meio Ambiente

 

ANA CLÁUDIA OLIVEIRA SILVA

ESTUDO DA OCORRÊNCIA DE ENTEROPARASITOSES EM CRIANÇAS PRÉ-ESCOLARES DA CIDADE DE PATROCÍNIO – MG, E ANÁLISE DE CONTAMINAÇÃO SUBUNGUEAL E ELEMENTOS SANITÁRIOS

Orientadores: Prof. Dr. Otílio Machado Pereira Bastos
                          Profª. Drª. Beatriz Brener de Figueiredo

Aprovada em maio de 2011.

RESUMO
A ocorrência de parasitoses intestinais na infância, especialmente em idade escolar e pré-escolar, consiste em um fator agravante da subnutrição, podendo levar à morbidade nutricional, geralmente acompanhada de diarréia crônica, refletindo no rendimento escolar, promovendo a incapacitação física e intelectual dessas crianças infectadas. A imaturidade imunitária desta população, sua dependência de cuidados alheios, nível socioeconômico familiar, hábitos de higiene não suficientemente consolidados entre outros fatores, a torna mais suscetível à infecção por parasitos intestinais. Diferentes formas de transmissão estão constantemente sendo descritas, tornando-se necessário reconhecer e valorizar a participação dos mais diversos objetos que possam estar envolvidos diretamente na disseminação das enteroparasitoses, como por exemplo, o material subungueal e elementos de sanitários, uma vez que se é conhecido a resistência de ovos de helmintos e cistos de protozoários em condições ambientais As condutas de tratamento e profilaxia capazes de abranger expressivos grupos populacionais são mais viáveis após pesquisas epidemiológicas. Desta forma objetivou-se neste trabalho determinar a ocorrência de enteroparasitos em crianças freqüentadoras de cinco pré-escolas públicas do município de Patrocínio – MG, verificar a presença de estruturas enteroparasitárias no material subungueal e nos elementos sanitários, manuseados pelas mesmas, e traçar o perfil sócio – econômico – sanitário da população atendida pelas instituições estudadas. No período de janeiro à abril de 2010, 265 crianças tiveram as fezes coletadas e processadas pelas técnicas de centrífugo-flutuação em solução de sulfato de zinco, termohidrotropismo e sedimentação espontânea, observando-se 53,58% de positividade para algum enteroparasito, sendo Giardia duodenalis o mais freqüente, com 51,87%. De 291 amostras analisadas de material subungueal, obtido pela raspagem e corte das unhas e processadas por centrífugo-sedimentação, 4,47% delas foram positivas para estruturas enteroparasitárias, sendo ovos de ancilostomídeos os mais freqüentes, 71,43%. Foi observado, de 87 elementos de sanitários (descarga, registro de torneira, pia e assento do vaso sanitário, local da troca de fralda e de banho no berçário), 16,10% deles contaminados por estruturas enteroparasitárias, sendo que as amostras dos mesmos foram obtidas pelo método da fita adesiva transparente sobre lâmina de vidro. Nos elementos sanitários positivos, 92,86% deles estavam contaminados com ovos de estrongilídeos e 7,14% com larva de nematódeo, sendo o assento do vaso sanitário o mais contaminado. A população atendida é carente onde 62,23% vive com até 1 salário mínimo e 31,42% dos pais tem apenas o nível fundamental incompleto. As residências das crianças estudadas apresentam quanto ao saneamento básico, 100% de coleta de lixo pelo serviço da Prefeitura, 98,45% recebem água encanada e tratada pelo Departamento de Água e Esgoto da cidade, e apenas 1,56% retiram água de poço artesiano. Os funcionários destas instituições estudadas devem ser constantemente instruídos quanto ao cuidado adequado que deve ser indispensável às crianças e ao ambiente em que se encontram, voltado para tentar diminuir ao máximo o risco de contaminação de superfícies e infecções enteroparasitárias entre eles. Além disso, a orientação dos pais e o envolvimento de profissionais e administradores de saúde são necessários para a existência de bons programas de prevenção e controle de infecções.

Palavras-chave: enteroparasitos, material subungueal, elementos sanitários.

ANA PAULA MARTINS XAVIER

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE PACIENTES COM DERMATOFITOSES UNGUEAIS DE UM LABORATÓRIO DE MICOLOGIA NO RIO DE JANEIRO DE 2002 A 2007

Orientador: Prof. Dr. Jeferson Carvalhaes de Oliveira

Aprovada em abril de 2009.

RESUMO:

As onicomicoses causadas por dermatófitos são comuns em várias partes do mundo e apresentam frequências variadas de acordo com a localização, condições climáticas, movimentos migratórios e a população estudada. Os dermatófitos são fungos ubíquos, queratinofílicos, sendo Trichophyton rubrum e Trichophyton mentagrophytes os principais agentes etiológicos implicados em onicomicoses na atualidade. O objetivo deste trabalho foi verificar o perfil epidemiológico dos pacientes com onicomicoses causadas por dermatófitos atendidos no serviço de micologia de um laboratório clínico e avaliar os fatores de risco associados. O estudo consistiu no levantamento de dados coletados das fichas de identificação pré-existentes de pacientes com suspeita de onicomicoses atendidos no Laboratório de Investigação em Dermatologia situado na Tijuca, no Rio de Janeiro, Brasil, entre janeiro de 2002 e agosto de 2007. As amostras foram submetidas à
confirmação diagnóstica por exame direto e cultura. Os resultados mostraram que as onicomicoses por dermatófitos foram diagnosticadas em 583 amostras clínicas, representando 32,39% dos casos, 64,79% homens e 35,21% mulheres, sendo a faixa etária mais prevalente de 41 a 50 anos. O exame direto mostrou-se positivo em 91,3% das amostras, sendo as hifas hialinas e artroconídios as estruturas mais evidenciadas. Os dermatófitos foram predominantemente isolados nas unhas dos pés (98,5%), tendo a unha do hálux como localização preferencial. As espécies antropofílicas (73,2%) foram as mais envolvidas, sendo T. rubrum o mais isolado. Foi concluído que as onicomicoses predominaram em indivíduos do sexo masculino, com idades variando de 31 a 60 anos, nos pés e tendo como principal agente etiológico T. rubrum.

Palavras-chave: onicomicose; dermatófitos; Trichophyton; epidemiologia.

BARBARA NEVES DOS SANTOS

ANÁLISE DE MARCADORES DE VALOR DIAGNÓSTICO PARA A DISTINÇÃO ENTRE TRYPANOSOMA CRUZI CHAGAS, 1909 E TRYPANOSOMA RANGELI TEJERA, 1920

ORIENTADORES: Prof. Dr. Otilio Machado Pereira Bastos
                                  Prof. Dra. Maria Auxiliadora de Sousa

Aprovada em março de 2009.

RESUMO
Neste trabalho foram analisadas culturas axênicas de 10 amostras de referencia de Trypanosoma cruzi e 6 de Trypanosoma rangeli, todas parte do acervo da Coleção de Tripanosomatídeos dos Instituto Oswaldo Cruz (CT-IOC). Estas amostras foram estudadas comparativamente por técnicas parasitológicas clássicas (morfobiologia e biometria), perfil eletroforético de isoenzimas e dos produtos de amplificação por PCR de minicírculos do kDNA. Todas foram crescidas à 27,3 C (±0,3) em meio LIT (Liver Infusion-Tryptose) contendo um total de 10 ou 20% de soro fetal bovino (LIT 10% ou 20% SFB). As massas parasitárias visando análises bioquímicas e moleculares foram ampliadas em meio bifásico contendo agar-sangue (N.N.N) e LIT 10% ou 20% SFB. Os objetivos deste trabalho foram: a) verificar o valor destas técnicas para distinção de T. cruzi e T. rangeli ou suas variedades; b) confirmar autenticidade das amostras da Coleção acima citada; c) resgatar conhecimentos parasitológicos clássicos para o estudo dos tripanosomatídeos, identificando marcadores para diagnóstico diferencial de espécies. Os principais resultados encontrados foram: a) diferentemente de T. cruzi, todas as amostras de T. rangeli só cresceram em LIT 20% SFB e apresentaram um padrão de diferenciação mais complexo, incluindo esferomastigotas, além de formas com cinetoplasto posterior e extremidade arredondada; b) T. cruzi e T. rangeli apresentaram diferenças estatisticamente significantes (p = 0,000) nas dimensões dos tripomastigotas (comprimento total, flagelo incluído) e dos cinetoplastos dos epimastigotas; (c) os sistemas enzimáticos MDH e ME foram úteis para a distinção entre estas espécies, enquanto GPI e PGM evidenciaram uma variação intraespecífica; (d) os primers 121/122 geraram produtos amplificados típicos de T. cruzi (330pb) e de T. rangeli (760pb) para as todas as amostras identificadas com estas espécies; (e) com estes mesmos primers e utilizando condições de corrida diferenciadas, todas as cepas de T. rangeli (KP1+) não apresentaram produtos com 330pb, assim confirmando sua pureza. Os resultados deste trabalho identificaram técnicas e parâmetros úteis para a distinção entre T. cruzi e T. rangeli ou suas variedades, confirmação de autenticidade de amostras da Coleção de Tripanosomatídeos, como também para análise e identificação de novos isolados (ver artigos publicados, em anexo). Este trabalho também contribui para a valorização do emprego de técnicas parasitológicas clássicas no estudo dos tripanosomatídeos, sugerindo-se que sejam utilizadas como abordagens iniciais para auxiliar na escolha de técnicas complementares e avançadas para caracterização e identificação destes organismos.

CAMILA HAMOND REGUA MOTTA

AVALIAÇÃO DO IMPACTO DA LEPTOSPIROSE NO DESEMPENHO ATLÉTICO DE EQUINOS

Orientador: Prof.Dr. Walter Lilenbaum.

Aprovada em fevereiro de 2010.

RESUMO
Embora os sintomas mais freqüentemente descritos na leptospirose em equinos sejam febre, icterícia, nefrite e complicações oculares, pouco se estuda sobre a interferência desta infecção no desempenho atlético destes animais. O objetivo deste estudo foi avaliar a associação da sororeatividade para leptospirose com a ocorrência de hemorragia pulmonar induzida por exercício (HPIE) e com o desempenho atlético em equinos. Estudou-se 180 equinos adultos mantidos em treinamento no Jockey Clube Brasileiro do Rio de Janeiro para detecção de anticorpos anti-Leptospira pela técnica da soroaglutinação microscópica. Noventa (50,0%) animais se mostraram sororreativos com títulos = 200, com predomínio do sorotipo Copenhageni (87,8%). Os 79 animais sororreativos para Copenhageni foram avaliados por endoscopia das vias aéreas superiores 30 minutos após o exercício. Destes, 32 (40,5%) apresentavam histórico de dificuldade em ganhar peso, 24 (30,4%) inapetência e queda de desempenho atlético. Ao exame clínico, sete (7,8%) apresentaram icterícia, 18 (20,0%) lacrimejamento e hiperemia ótica, 24 (30,4%) encontravam-se apáticos, dois (2,5%) com mialgia, quatro (4,4%) com letargia e 33 (41,8%) com opacidade de pêlo. Na endoscopia das vias aéreas superiores 16 (20,2%) dos animais sororreativos apresentaram HPIE, assim como 10 (11,1%) dos equinos soronegativos para leptospirose. Dos 79 animais sororreativos para o serovar Copenhageni, 37 (41,1%) foram tratados com penicilina procainada associada à estreptomicina, e 15 dias após o tratamento verificou-se melhora significativa com relação à dificuldade em ganhar peso, inapetência, apatia e letargia. Já no que se refere à melhora do desempenho atlético e opacidade de pelo, as melhoras foram evidentes 45 dias após o tratamento. Sete destes animais apresentavam HPIE ao primeiro exame, e reverteram de grau 4 para 3 (dois animais) ou 2 (cinco animais). Verificou-se, portanto, associação entre sororreatividade para leptospirose com o desempenho atlético destes animais, principalmente no que diz respeito à severidade da HPIE, e que o tratamento específico foi capaz de reverter tal quadro.

Palavras - chave: Leptospirose, eqüino, desempenho atlético.

CARLOS ALBERTO MÜLLER

INTERFERÊNCIA DA CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL NA MICROBIOTA DE CAMUNDONGOS MANTIDOS EM BIOTÉRIOS DE EXPERIMENTAÇÃO.

Orientador: Prof.Dr. Walter Lilenbaum.

Aprovada em fevereiro de 2009.

RESUMO
Um adequado controle microbiológico dos animais utilizados em pesquisas é de fundamental importância, não apenas devido ao potencial patogênico de tais agentes para os animais e para as pessoas, mas também porque estes podem interferir nos resultados de experimentos, alterando a reprodutibilidade e qualidade das pesquisas realizadas. Atualmente diversas
práticas de biossegurança e monitorização da saúde dos animais são preconizadas, a fim de garantir animais de adequado padrão microbiológico. Neste estudo, compararam-se dois biotérios de experimentação do Instituto Oswaldo Cruz/ Fiocruz, sendo um bioprotegido (A) e o outro não (B), quanto ao padrão microbiológico dos camundongos, objetivando verificar a influência da contaminação ambiental na microbiota dos animais utilizados em experimentação. Bactérias, vírus e endoparasitos foram investigados em ambos os biotérios, de acordo com a metodologia preconizada para cada agente. Para os testes bacteriológicos utilizou-se amostras de 222 animais do biotério A e 236 do biotério B; para os testes virológicos, 119 do biotério A e 236 do biotério B; já para os exames parasitológicos, utilizou-se 158 do biotério A e 316 do biotério B. Os dados foram submetidos à análise descritiva e ao teste do Qui-quadrado. Os resultados indicaram uma maior ocorrência de microrganismos e de parasitas no biotério não-bioprotegido. Klebsiella pneumoniae, Pasteurella sp. e Salmonella sp. foram encontradas em ambos os biotérios, enquanto que vírus e parasitos só foram detectados no biotério nãobioprotegido. Dentre os vírus, nos animais infectados, o de maior ocorrência foi o Vírus da Hepatite de Camundongos (MHV) e, dentre os parasitos, o de maior ocorrência foi Syphacia sp. Concluiu-se que o biotério bioprotegido foi capaz de garantir padrões microbiológicos mais adequados para a experimentação animal e que esta deve ser uma prática constante nas instituições de pesquisa.

Palavras chave: biossegurança, biotérios, camundongos, contaminação,
microrganismos.

CECÍLIA MATHEUS GUIMARÃES

CARACTERIZAÇÃO FENOTÍPICA E MOLECULAR DE AMOSTRAS DE ESCHERICHIA COLI rfbO113-POSITIVAS ISOLADAS DE BOVINOS SADIOS EM MIRACEMA, RJ.

Orientador: Prof. Dr. Aloysio de Mello Figueiredo Cerqueira

Aprovada em abril de 2009.

RESUMO
Os ruminantes, especialmente os bovinos, são reservatórios de amostras de Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC), um enteropatógeno que causa doenças em humanos desde diarréia até colite hemorrágica e síndrome urêmica hemolítica (HUS). Este microrganismo apresenta elevada persistência no ambiente, variando de semanas a meses. A sua ampla disseminação pode estar associada à contaminação de ambientes aquáticos próximos aos locais de criação dos animais. O sorotipo O113:H21 tem sido isolado de pacientes com HUS e apresenta uma alta ocorrência em animais. Apesar de ser freqüentemente isolado no Brasil, este sorotipo ainda não foi relatado causando doenças em humanos. O presente estudo teve como objetivo realizar a caracterização fenotípica e molecular de 29 amostras rfbO113-positivas isoladas de bovinos sadios do município de Miracema RJ para avaliar a ocorrência de genótipos potencialmente virulentos para o homem e,também, a manutenção do microrganismo no ambiente. A ocorrência dos genes cromossômicos stx1, stx2, genes stx2, stx2c, stx2d e stx2f das variantes do tipo II da toxina Shiga, rfbO113, iha, irp2, escC, escJ, astA, cdt-VB, lpfAO113 e efa1 5’ e dos genes plasmidiais saa, espP, subA, pilS, toxB, ehxA e etpD foi analisada através de ensaios de PCR. Extração plasmidial foi realizada para caracterização de plasmídios de alto peso molecular.Testes fenotípicos de fermentação do sorbitol, produção de enterohemolisina e efeito citotóxico em células Vero foram realizados. Adicionalmente, testes de amplificação randômica (RAPD) com dois iniciadores distintos e eletroforese de campo pulsado (PFGE) foram realizados, a fim de avaliar a similaridade genética das amostras e sua distribuição e persistência nos animais. Todos os isolados foram positivos para os genes rfbO113 e lpfO113. Com exceção de quatro amostras, todas foram positivas para gene stx2, sendo seis também positivas para stx1. A ocorrência do subtipo stx2 isolado foi mais freqüente e os fatores de virulência mais comuns foram iha (82,7%) seguido por ehxA (75,9%). Oito genótipos de virulência foram detectados e dois destes possuíam a ocorrência simultânea de 10 genes. O genótipo mais freqüente (n=12) apresentou nove genes de virulência (stx2 / stx2v / espP / pilS / saa / subA / iha / ehxA / lpfO113). A maioria das amostras (82,7% e 65,5%) foram fenotipicamente positivas para a fermentação de sorbitol e produção de enterohemolisina, respectivamente. Todas as amostras positivas para genes stx demonstraram efeito citotóxico. A presença de plasmídios de alto peso
molecular foi comum entre as amostras (69,9%). O menor índice de similaridade entre as amostras foi de 65% e 63% na técnica de RAPD e PFGE, respectivamente. Nas amostras que apresentaram capacidade de persistência e disseminação, também foi observado grande potencial patogênico uma vez que demonstraram perfis de virulência com nove ou dez genes. Algumas diferenças foram encontradas, mas de maneira geral, foi possível detectar a ocorrência de amostras comuns em animais e períodos distintos, inclusive em diferentes rebanhos. Assim como também detectou-se a presença de estirpes não relacionadas no mesmo animal e no mesmo período. O conjunto dos dados obtidos demonstra que, além da elevada ocorrência de genótipos potencialmente patogênicos para o homem, os microrganismos são capazes de permanecer no ambiente e no animal por um longo período ou então circular no ambiente, inclusive entre rebanhos. A presença comum de STEC O113:H21 no reservatório animal representa um risco que não deve ser negligenciado, ao contrário, investigações mais amplas devem ser realizadas em busca de estirpes de maior potencial patogênico.

Palavras-chave: STEC, O113:H21, bovinos, PFGE.

DANIELLE PACHECO ALVES

CARACTERIZAÇÃO FENOTÍPICA E GENOTÍPICA DE AMOSTRAS DE ESCHERICHIA COLI UROPATOGÊNICA ISOLADAS DE HUMANOS E DE CÃES.

Orientador: Prof. Dr. Aloysio de Mello Figueiredo Cerqueira

Aprovada em março de 2009

RESUMO
As infecções no trato urinário (ITU) são frequentemente causadas por cepas de Escherichia coli uropatogênica (UPEC). Este patotipo é a principal causa de ITU na comunidade e um dos mais importantes no ambiente hospitalar. A localização, gravidade e sequelas destas infecções são determinadas pelo equilíbrio entre a virulência bacteriana e a resistência do hospedeiro. A multirresistência bacteriana aos antimicrobianos, que vem ocorrendo de modo crescente tanto na medicina humana quanto na medicina veterinária, dificulta o combate a estes microrganismos. A produção de beta-lactamases de espectro estendido é um importante mecanismo de resistência em enterobactérias, visto que essas enzimas catalisam a hidrólise do anel beta-lactâmico, impossibilitando sua atividade antimicrobiana. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar comparativamente os perfis de virulência e resistência antimicrobiana de amostras de Escherichia coli isoladas de infecções do trato urinário de humanos e de cães. A resistência a 19 antimicrobianos foi avaliada em amostras de UPEC de origem humana (n=50) e de origem canina (n=50). Adicionalmente, testes fenotípicos de avaliação da produção de ESBL e de hemolisina foram realizados. O perfil genotípico das amostras foi avaliado através de detecção de genes específicos codificadores da virulência (afa, cnf, fimH, hly, kps e pap) e da resistência bacteriana (blaCMY , blaTEM , blaSHV , blaCTX , drf, rmtB) além da avaliação do perfil plasmidial. Pode-se observar multirresistência a antimicrobianos em 94% das amostras de origem humana, assim como em 74% nas de origem canina. Resistência simultânea a mais de 8 classes de antimicrobianos foi detectada em 4% e 10 % das amostras de origem humana e canina, respectivamente. Todas as amostras testadas foram sensíveis ao imipenem. A ocorrência de cepas produtoras de ESBL, detectadas em amostras de origem humana (n=4) e canina (n=3) foi principalmente mediada pela presença das enzimas Tem e Ctx, uma vez
que nenhuma das amostras testadas apresentou o gene codificador da enzima Shv. O perfil genético de virulência foi diverso, ocorrendo amostras portadoras de apenas 1 gene de virulência (fimH - 14% das amostras de origem humana e 17% das amostras de origem canina testadas), até amostras que apresentaram todos os genes investigados ( 18% das amostras de origem humana e 17% das amostras de origem canina testadas). Várias destas amostras exibiram simultaneamente um padrão de multirresistência. A presença do gene hlyA foi
comumente associada a presença dos genes pap e/ou cnf. Os resultados obtidos neste estudo reforçam a importância do monitoramento de amostras multirresistentes de modo a otimizar as estratégias de tratamento e controle da infecção.

Palavras-chave: E. coli; humanos; cães; virulência; trato urinário.

DENISE NEVES NUNES

ANÁLISE COMPARATIVA DA MORFOLOGIA E DO PERFIL DE ESTERÓIS DE FUSARIUM SPP, COMO EXPRESSÃO DA ADAPTAÇÃO TÉRMICA.

Orientador: Prof.ª Dr.ª Diana Bridon da Graça Sgarbi

Aprovada em abril de 2009.

RESUMO
As micoses emergentes são definidas como aquelas que têm aumentando em incidência, principalmente associadas a fatores predisponentes do hospedeiro. Os fungos oportunistas são considerados com menor grau de virulência, mas podem expressar esses fatores em condições de baixa de defesa do hospedeiro. O gênero Fusarium, com diversas espécies e ampla distribuição na natureza, na dependência do grau de integridade do hospedeiro, tem potencial como agente etiológico de micoses cutâneas, subcutâneas e sistêmicas. Um importante fator de virulência, essencial para que um fungo seja capaz de causar micose sistêmica, é a habilidade de se adaptar à temperatura corpórea humana. As mudanças nas condições ambientais são determinantes para eliminar o fungo ou desencadear mudanças que levem à adaptação para sobrevivência desse e conseqüentes danos para o hospedeiro. O presente estudo teve como objetivos comparar a micromorfologia em função da temperatura de cultivo, identificar as espécies das amostras estudadas, verificar o conteúdo de esterol, açúcar e fosfato por dosagens químicas dos lipídios obtidos das amostras nas duas temperaturas de cultivo, identificar e caracterizar os esteróis presentes nas amostras. Foram analisadas 09 amostras de Fusarium, oriundas de nossa coleção de culturas e de casos clínicos. Os microcultivos e a obtenção de massas de células foram realizados em meio líquido de batata-dextrose a 25 e 37 graus Celsius. A identificação das espécies foi feita através das chaves de classificação de Nelson, 1983. Os lipídeos foram extraídos da massa de células com solventes orgânicos. Esteróis e glicolipídeos foram analisados por cromatografia em camada fina. Foram realizadas dosagens químicas de esterol, açúcar e fosfato. A identificação dos esteróis foi realizada através de cromatografia gasosa e esses foram caracterizados por espectrometria de massas (GC/MS). Em todas as amostras foram observadas mudanças na micromorfologia em função da temperatura de cultivo. Em 25ºC, há predominância de hifas hialinas septadas com macroconídios e microconídios; já em 37ºC, hifas mais espessas, pseudohifas e estruturas leveduriformes com gemulações. Dentre as amostras, foram identificas as seguintes espécies: F. solani, F. oxysporum e F. moniliforme. Todas as amostras, em ambas as temperaturas, apresentaram glicolipídeos com características de mono-glucosil-ceramídeos. Por dosagens químicas, as amostras apresentaram em sua composição: de 2,09 a 5,83% de açúcar; de 2,31 a 6,22% de esterol e de 0,06 a 0,9% de fosfato, sendo que este último, apresentou maior percentual nas amostras cultivadas a 37ºC. Foram identificados os seguintes esteróis: ergosta-tetra- 5, 7, 9 (11), 22; brassicasterol, zymosterol, ergosterol, episterol, lanosterol, sitosterol e eburicol. Acreditamos que nossos resultados possam contribuir ao conhecimento do gênero Fusarium na relação parasita-hospedeiro e patogênese, assim como nas estratégias antifúngicas.

Palavras-chave: Fusarium, esteróis, adaptação térmica.

  

ERIKA PEIXOTO FERREIRA

OBSERVAÇÃO MICROSCÓPICA DA INTERAÇÃO DE MACRÓFAGOS MURINOS E CÉLULAS DA LINHAGEM J774 COM ISOLADOS DE Paecilomyces lilacinus

Orientadores: Prof. Dr. Jeferson Carvalhaes de Oliveira
                          Prof. Dr. Paulo R. Zuquim Antas
                          Co-orientadora: Prof.ª Dr.ª Cintia de Moraes Borba

Aprovada em agosto de 2010.

RESUMO:
Estudos sobre a interação parasito-hospedeiro em relação ao fungo Paecilomyces lilacinus carecem de informações, uma vez que essa espécie era reconhecida, até recentemente, como contaminante do ar, sem importância como agente causal da hialohifomicose. Atualmente, a partir de casos clínicos descritos, tanto em crianças como em adultos imunocompetentes e imunodeprimidos, tendo como agente etiológico P. lilacinus, este fungo passou a ser considerado como um importante oportunista humano emergente. Este estudo teve como objetivo desafiar macrófagos murinos e de células da linhagem J774 com conídios de P. lilacinus provenientes de distintas formas clínicas de hialohifomicose. Para isso, conídios foram isolados a partir do crescimento fúngico em meio BDA, à temperatura ambiente, por 10 a 12 dias. Macrófagos peritoneais de camundongos C57BL/6 e a linhagem celular J774 interagiram “in vitro” com os conídios na proporção de 2:1, respectivamente. Após a interação, em tempos diferentes de incubação, as células foram fixadas com metanol e coradas com “Wright-Giemsa” para análise por microscopia óptica, e processadas com 2,5% de glutaraldeído e 1% de tetróxido de ósmio em 0,1M para investigação por microscopia eletrônica de transmissão (MET). Em macrófagos peritoneais murinos e células J774 observou-se que, em 30 minutos de interação, os conídios já tinham sido internalizados. A infecção a partir dai prosseguiu, com um aumento do número de conídios dentro de macrófagos, confirmado pelo aumento do índice endocítico. Entre uma a quatro horas não houveram mudanças significativas na morfologia conidial. Em cinco horas, a microscopia eletrônica confirmou o aumento do volume conidial, presença de tubo germinativo em macrófagos peritoneais murinos, enquanto que neste mesmo tempo as células J774 apenas apresentaram conídios sem mudanças significantivas quanto à morfologia. Em 14 horas, em ambos os tipos celulares, foi observado um aumento do número de conídios internalizados e em processo de formação de tubos germinativos. Em 24 horas, na interação com macrófagos murinos, hifas de P. lilacinus foram observadas enquanto que, na mesma interação, com as células J774 não foram observadas tais estruturas, mas somente tubos germinativos. Em 48 horas, para ambos os tipos celulares, apenas o micélio é observado. Verificou-se que os três isolados de P. lilacinus foram capazes de sobreviver dentro de fagócitos e que os macrófagos peritoneais foram mais sensíveis ao fungo que as células da linhagem J774. Os resultados obtidos neste trabalho chamam a atenção de que estudos adicionais sobre a interação de conídios de P. lilacinus e células fagocíticas devem ser intensificados, na esperança de que os dados gerados ajudem a elucidar os complexos e críticos mecanismos envolvidos na patogênese deste microrganismo oportunista.

Palavras-chave: Paecilomyces lilacinus, hialohifomicose, macrófagos.

FLÁVIA FERNANDES DE MENDONÇA UCHÔA

Avaliação do Ensaio Imunoenzimático (ELISA) e técnica de Faust e cols. (1939) para o diagnóstico da infecção por Giardia spp. (Lambl, 1859) em Canis familiaris.

Orientador: Prof. Dr. Otilio Machado Pereira Bastos

Aprovada em março de 2009.

RESUMO:
As espécies do gênero Giardia são os parasitos intestinais mais comuns mundialmente, sendo o diagnóstico microscópico considerado o “padrão ouro” para a sua detecção em amostras fecais caninas e humanas. Entretanto, a microscopia é uma técnica demorada, laboriosa e de menor sensibilidade quando apenas uma amostra fecal é examinada. No presente estudo, a avaliação microscópica através da técnica de Faust e cols. (1939) realizada em amostras obtidas durante três dias consecutivos e o ensaio imunoenzimático ProSpecT Giardia foram utilizados para o diagnóstico de infecções por Giardia spp. em 94 cães domiciliados na cidade de Niterói, RJ. 61 pacientes caninos apresentaram-se portadores de pelo menos um parasito intestinal, sendo detectadas infecções por dois ou mais parasitos em 44,26% dos cães avaliados através dos exames coproparasitológicos. Um total de 18 cães (20,21%) foram considerados positivos para Giardia spp. utilizando-se como “padrão ouro” a técnica de Faust e cols. Destas infecções, 61,11% foram diagnosticadas no primeiro dia de coleta de amostras, 83,33% no segundo dia e 100,00% no terceiro dia. 14 cães apresentaram-se positivos através da técnica ELISA, que apresentou concordância de 83,30% com a técnica de Faust e cols. O exame microscópico de concentrados fecais ainda é a base do diagnóstico de grande número de enfermidades parasitárias, pela simplicidade, sensibilidade e baixo custo, e por possibilitar a detecção com alta especificidade das formas evolutivas de nematelmintos, platelmintos e protozoários. Baseados em nossas observações, a utilização de um ensaio imunoenzimático para a detecção de Giardia spp. parece ser mais adequada aos levantamentos epidemiológicos e aos casos onde não se é possível a coleta seriada de amostras fecais dos pacientes suspeitos.

Palavras-chave: Giardia spp., cães, diagnóstico, técnica de Faust e cols. (1939), ELISA GSA 65.

IVANA BOGADO MARTINEZ

BIODIVERSIDADE DE BACTÉRIAS LIGNOCELULOLÍTICAS DA MATA ATLÂNTICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Orientadores: Prof. Dr. Fabiano Lopes Thompson
                          Prof.ª Dr.ª Silvia Maria Baeta Cavalcanti

Aprovada em fevereiro de 2009.

RESUMO
Este trabalho teve como objetivo caracterizar a biodiversidade de bactérias lignocelulolíticas cultiváveis da Mata Atlântica. Oito tipos de solo contendo características edáficas distintas foram obtidos no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), uma Unidade de Conservação da Mata Atlântica localizada no estado do Rio de Janeiro, Brasil. As amostras de solo foram caracterizadas bioquimicamente e utilizadas para a quantificação e isolamento de bactérias presuntivamente caracterizadas como celulolíticas, lignolíticas e actinomicetos, com base no crescimento em meios de cultivo complexos, enriquecidos com carboximetil celulose, lignina, e em meio seletivo para isolamento de actinomicetos, respectivamente. Os isolados foram identificadas por meio de seqüenciamento parcial do rRNA 16S e avaliadas quanto à capacidade de metabolismo da carboximetil celulose e lignina, com base no crescimento em meios de cultivo à base de sais minerais suplementados com carboximetil celulose ou lignina. O resultado obtido da análise quantitativa de todos os grupos funcionais analisados se distribuiu nas faixas de 106 a 108 UFC/g. Uma coleção de cultura foi estabelecida contendo 77 morfotipos distintos agrupados em 24 gêneros bacterianos, distribuídos nos filos Proteobacteria, Firmicutes e Actinobacteria. Dentre eles, Burkholderia, Streptomyces, Mycobacterium, Arthrobacter, Bacillus e Paenibacillus foram verificados com maior frequência na coleção e demonstraram uma ampla distribuição geográfica no PARNASO. O metabolismo da lignocelulose esteve amplamente distribuído em bactérias do filo Proteobacteria. O metabolismo da carboximetil celulose foi observado na maioria dos isolados testados (90%), embora a degradação da lignina tenha se mostrado mais restrita, sendo observada em cerca de 20LARISSA ALVES AFONSO% do isolados da coleção. Em alguns casos, foram obtidas sequências de rRNA 16S com níveis de similaridade muito próximos dos 97% utilizado para definir espécies bacterianas diferentes, havendo possibilidade de descrição de espécies novas. O PARNASO demonstrou ser uma área de grande ocorrência de diversidade de bactérias lignocelulolíticas, contendo muitos gêneros bacterianos com alto potencial biotecnológico.

Palavras-chave: Microbiologia Ambiental. Biodiversidade. Mata Atlântica. Bacteriologia. Classificação.

LARISSA ALVES AFONSO

DETECÇÃO DE PAPILOMAVÍRUS HUMANOS E VÍRUS EPSTEIN-BARR EM LESÕES MALIGNAS DO TRATO GENITAL MASCULINO

Orientadora: Profª. Dra. Silvia Maria Baeta Cavalcanti

Aprovada em fevereiro de 2011.

RESUMO
O câncer de pênis é um tumor raro. Entretanto, seu curso, física e psicologicamente mutilante, e os decepcionantes resultados terapêuticos situam-no entre os mais perigosos tumores humanos. Nos últimos anos, evidências se acumularam definindo o HPV como agente etiológico do câncer cervical. Entretanto, poucos estudos sobre a etiologia do câncer de pênis vêm sendo conduzidos em todo o mundo. Alguns genótipos do HPV tem sido encontrados em cerca de 40 a 70% dos carcinomas penianos, com maior prevalência de HPV 16 e 18. Acredita-se que a presença de cofatores, em especial o HIV e o vírus Epstein-Barr (EBV), possam ter um papel na progressão a esta neoplasia. O EBV é associado com diversas doenças malignas na população humana e especula-se sobre seu envolvimento na carcinogênese anogenital. O objetivo desse projeto foi determinar a prevalência do HPV em lesões malignas de pênis provenientes de pacientes atendidos no Hospital do INCA. Simultaneamente, avaliamos a presença do EBV como possível agente associado ao câncer de pênis. Para tanto utilizamos a técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) e de Polimorfismo do comprimento do fragmento de restrição (RFLP). Foram selecionados 135 pacientes entre os anos de 2005 e 2010 do INCA. A média de idade foi de 58,5 anos. A infecção pelo HPV foi detectada pela PCR usando primers genéricos MY09/MY11. As amostras foram em seguida submetidas ao PCR tipo-específico para detecção os HPV 16, 18, 33, 35, 45 e 58e as não tipadas foram então submetidas a técnica de RFLP. Das 135 amostras de carcinoma de pênis, 82 foram MY positivas (60,7%): 27 apresentaram HPV16 (29,7%), 5 HPV18 (5,5%), 21 HPV45 (23,1%) e 9 HPV6 (9,9%). Foram observadas 7 infecções mistas (9,2%). Onze casos foram indeterminados (HPVX) (13,4%). Em relação ao EBV, 46,7% das amostras de carcinoma foram positivas, sendo o EBV-1 o mais prevalente (74,6%). Trinta e seis amostras de carcinoma foram positivas tanto para HPV como para EBV (34,1%). Foi analisado o grau de diferenciação do câncer, mas sua relação com o status ou tipo de HPV e/ou EBV não teve significância estatística (p>0,05). Também não foi verificada significância estatística entre a idade dos pacientes e a prevalência viral. As taxas de detecção do HPV16 descritas nesse estudo estão de acordo com a literatura mundial que o descreve como o HPV mais prevalente, tanto no câncer de pênis quanto no câncer cervical. Uma alta frequência do HPV45 e uma queda na frequência do HPV18, aqui descritas também tem sido vistas em estudos de prevalência de HPV em câncer cervical, apontando uma nova tendência de circulação destes genótipos no mundo. A possibilidade de sinergismo entre o EBV e o HPV para iniciar os eventos da carcinogênese já foi sugerida para o câncer cervical. Em nossa amostras, o EBV foi detectado em todos os tipos de lesões estudadas, inclusive em carcinomas in situ e não inavsivos, o que sugere que sua presença não é decorrente de uma infecção/reativação tardia, mas sim acompanha a história natural do câncer. Vale ressaltar que a etiologia do câncer de pênis ainda não foi totalmente elucidada, e o HPV e EBV continuam sendo considerados agentes controversos, assim mais estudos são necessários para comprovar ou refutar essa possível associação, especialmente agora que há vacinas profiláticas para o HPV comercialmente disponíveis.

Palavras-chave: Câncer de pênis, HPV, EBV, PCR

LAVÍCIE RODRIGUES ARAIS

CARACTERIZAÇÃO GENOTÍPICA E FENOTÍPICA DE ESCHERICHIA COLI ENTEROPATOGÊNICA ATÍPICA ISOLADA DE CÃES E DE HUMANOS.

Orientador: Profº Dr. Aloysio de Mello Figueiredo Cerqueira
Co-orientadora: Profª Dra. Tânia Aparecida Tardelli Gomes do Amaral

Aprovada em fevereiro de 2010.

RESUMO
Cepas atípicas de Escherichia coli enteropatogênica (aEPEC) são consideradas patógenos emergentes e vêm sendo detectadas de modo crescente em animais e humanos. No Brasil, aEPEC é atualmente mais prevalente que as cepas típicas de EPEC. O presente trabalho teve como objetivo a comparação de isolados de aEPEC recuperados de cães e de crianças, por meio de sua caracterização genética e fenotípica. Foram estudados 15 isolados caninos e 5 isolados humanos de aEPEC provenientes de material fecal diarréico. Isolados dos sorotipos O51:H40, O4:H16, O11:H16 e O49:H10, foram recuperados de crianças e de cães. Os demais isolados, dos sorotipos O28:H16, O2:H19, O181:H18, O159:H23, O156:H-, O136:H- e O117:H40, foram recuperados apenas de cães. Foram investigados, através de PCR, diversos marcadores genéticos, cromossomiais ou plasmidiais, associados ou não ao lócus LEE, e descritos em outros patotipos de E. coli. Testes fenotípicos incluíram a adesão celular “in vitro” em células Caco-2 e a produção de hemolisinas. A similaridade genética foi avaliada por meio do perfil plasmidial e de amplificação através do RAPD-PCR. A maioria (65%) dos isolados apresentou os subtipos ß ou ? do gene eae e 50% e 60% dos isolados foram do subtipo a na subtipagem de tir e espB, respectivamente. Já na subtipagem do gene espA, foram detectados os subtipos a e ß em 46,6% (n=7) e 40% (n=6) dos isolados caninos, respectivamente. Nenhum isolado humano foi positivo para o gene ehxA, e 60% foram positivos para a-hlyA, enquanto nenhum isolado canino foi positivo para estes dois genes. Entretanto, no teste fenotípico, apenas um isolado humano do sorotipo O51:H40 produziu enterohemolisina. Os genes efa-1, iha e astA foram detectados em 20% e 40%, 100% e 0% e 0% e 13.3% dos isolados humanos e caninos, respectivamente. Os genes tccp2 e tccp foram detectados em 60% e 20% dos isolados humanos, e 26,7% e 6,7% dos isolados caninos. Adicionalmente, 85% dos isolados foram positivos para o gene fimH. Todos os isolados foram negativos para os genes afa, cnf1, kps, pap, stx2f e aggR. Todos os isolados humanos apresentaram os subtipos lpfA1-2 e lpfA2-1 de Lpf, enquanto apenas 6/15 dos isolados caninos foram tipáveis, sendo que um deles apresentou dois subtipos de lpfA1 (lpfA1-2 e 1-5) associado a lpfA2-1. O dendograma construído após os ensaios de RAPD-PCR agrupou os isolados em 5 tipos (I a V), sendo que todos isolados de origem humana e canina de sorotipos comuns formaram um agrupamento com mais de 75% de similaridade genética (tipo I). Na extração plasmidial, 18 dos 20 isolados apresentaram plasmídeos de alto peso molecular. Uma aderência de moderada a intensa foi caracterizada em ensaios de 6 horas com a maioria dos isolados (90%) apresentando um padrão de aderência localizada “like” (ALL), sendo que em dois destes, o padrão ALL estava associado com aderência periférica na forma de cordões, semelhante à aderência agregativa. Os resultados obtidos no presente estudo permitiram concluir que os isolados de aEPEC estudados apresentaram um perfil de virulência heterogêneo sendo mais diversificado em isolados de origem humana, inclusive entre isolados de mesmo sorotipo dos isolados caninos. No entanto, os marcadores de virulência detectados e a elevada similaridade genética demonstrada entre os isolados evidenciam um perfil patogênico, tanto para humanos como para animais, dos isolados de origem canina estudados.

Palavras chave: EPEC atípica, caninos, humanos.

LEONARDO SILVA BARBEDO

CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA E IDENTIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES CAUSAIS EM CANDIDÍASE CUTÂNEA

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Diana Bridon da Graça Sgarbi

Aprovada em abril de 2010.

RESUMO:

A candidíase é uma micose oportunista primária ou secundária, endógena ou exógena, causada por leveduras do gênero Candida. As lesões podem variar de superficiais a profundas, se comportando como doença aguda ou crônica; envolvendo localizações únicas ou em múltiplos sítios. Espécies desse gênero residem como comensais fazendo parte da microbiota normal do trato digestório de 80% dos indivíduos sadios. O estabelecimento da candidíase depende de uma imunodepressão específica ou geral, inata ou adquirida do hospedeiro; carga parasitária e virulência fúngica. Das quase 200 espécies, aproximadamente 10% são consideradas agentes etiológicos de candidíase, sendo de maior interesse clínico C. albicans, C. parapsilosis, C. tropicalis, C. glabrata, C. krusei, C. guilliermondii e C. lusitaniae, porém casos de espécies emergentes como C. dubliniensis, C. kefyr, C. rugosa, C. famata, C. utilis, C. lipolytica, C. norvegensis, C. inconspicua, C. viswanathii, dentre outras, estão sendo relatadas devido à alta freqüência que colonizam o hospedeiro humano. O diagnóstico laboratorial clássico da candidíase baseia-se essencialmente na presença de
blastoconídios no exame direto e observação da cultura leveduriforme de coloração creme e aspecto pastoso em ágar Sabouraud. Quanto às manifestações clínicas, podemos dividi-las em cutâneo-mucosas, sistêmicas e alérgicas. As lesões determinadas pelo fungo são úmidas e recobertas por uma pseudomembrana esbranquiçada que, ao ser removida, apresenta fundo eritematoso, quando em mucosas; e lesões satélites eritematosas de aspecto descamativo, quando cutâneas. A retirada dos fatores redisponentes e o restabelecimento da imunidade, combinada com derivados azólicos ou poliênicos, são as principais formas de tratamentos da candidíase. Nosso objetivo foi a identificação das espécies de Candida a partir de casos clínicos em humanos suspeitos de candidíase cutânea. Após a coleta do material clínico procedeu-se o exame direto; cultura em ágar Sabouraud e ágar Mycosel; cultura em BHI acrescido de cloranfenicol; plaqueamento em ágar Sabouraud; estoque em água destilada estéril; cultura em Chromagar Candida; prova do tubo germinativo; cultura em ágar Sabouraud hipertônico; cultura em ágar Sabouraud entre 42-45°C e bioquímica no sistema VITEK® 2 Compact. Entre novembro de 2008 e agosto de 2009, no setor de Diagnóstico Micológico Humano e Veterinário MIP/UFF, foram coletadas 65 amostras oriundas de 56 pacientes com suspeita de candidíase cutânea, onde confirmadas 58 amostras em 51 pacientes, sendo 38 mulheres e 13 homens, com faixa etária predominante entre 47 e 60 anos e maioria donas de casa, aposentados, professoras e serventes, estes apresentaram 45 infecções simples e 6 infecções mistas distribuídas em 58 espécimes da levedura: 11 C. parapsilosis; 11 Candida spp.; 9 C. famata; 6 C. albicans; 6 C. haemulonii; 5 S. ciferrii; 4 C. lipolytica; 3 C. guilliermondii e 3 C. tropicalis. Os dados do presente estudo corroboram a importância de esforços direcionados ao diagnóstico micológico ao nível de espécie.

Palavras-chave: Candidíase cutânea. Diagnóstico laboratorial. Candida parapsilosis. Candida spp.

LUCIANA JUSTO BESERRA

COMPORTAMENTO DE ESCHERICHIA COLI PRODUTORA DE TOXINA SHIGA DO SOROTIPO O113:H21 FRENTE A ATIVIDADE DE ÁGUA, pH, TEMPO E TEMPERATURA

Orientadores: Prof. Dr. Aloysio de Mello Figueiredo Cerqueira
Profª. Drª. Alice Gonçalves Martins Gonzalez

Aprovada em abril de 2010.

RESUMO:
Cepas de Escherichia coli produtoras de toxina Shiga (STEC) do sorotipo O113:H21 tem sido isoladas de casos esporádicos e surtos de doença humana em vários países do mundo. Os alimentos de origem bovina como carne, leite e derivados representam o principal veículo de transmissão de STEC. O presente estudo teve como objetivo analisar o comportamento de STEC pertencente ao sorotipo O113:H21, isoladas de carne bovina, fezes humana e bovina, e comparar com o comportamento de E. coli coliforme termotolerante e E. coli DH5a, frente a diferentes níveis de pH, temperatura, tempo e Aa nas condições que simulam produtos lácteos. Como substrato, utilizou-se o soro de queijo minas frescal com as variáveis ajustadas para mimetizar as condições presentes nos produtos lácteos. O efeito das quatro variáveis independentes (pH, Aa, tempo e temperatura) sobre a resposta (população bacteriana) foi aferido através da análise multivariada, utilizando-se um planejamento experimental do tipo “central composite design”, gerado pelo software Statistica 7 (StatSoft, OK, USA). Tal planejamento envolveu a combinação dos quatro fatores gerando 27 testes, com duas repetições autênticas dos experimentos. Os níveis empregados para as variáveis foram pH (5, 6 e 7), Aa (0,92, 0,94 e 0,96), tempo (0, 7 e 15 dias) e temperatura (8, 26 e 35ºC). O programa estatístico permitiu a construção de uma equação que modela o comportamento bacteriano. Com exceção da cepa bovina RJ 702/1, a equação gerada para as outras cepas apresentou coeficiente de determinação (R2) acima de 0,7, demonstrando o ajuste do modelo. A equação descreveu a variação da contagem microbiana em função das variáveis estudadas. Todas as variáveis apresentaram efeito significativo, individual e combinado, sobre o comportamento das STEC O113:H21 estudadas, porém as interações apresentaram baixa intensidade. O tempo foi a variável que mais contribuiu para a redução da população bacteriana das cepas incluídas no estudo. Os resultados apresentados pelos gráficos de superfície sugerem que as cepas EC 784 e 1108/1 podem apresentar habilidade de sobreviver em produtos lácteos como queijo minas frescal (pH: 6,4; Aa = 0,98), queijo prato (pH: 5,2 a 5,4 ; Aa: 0,94 a 0,96) e iogurte (pH: 5,0; Aa: 0,97) em um período de 4 a 5 dias na faixa de temperatura de armazenamento avaliada no estudo (8°C a 35°C). A cepa de coliforme termotolerante manteve-se viável por mais tempo, em um período de 15 dias nessas mesmas condições. Já a cepa laboratorial E. coli DH5a não apresentou habilidade de sobrevivência nesses produtos. Os resultados obtidos e analisados em conjunto indicam que as cepas pertencentes ao sorotipo O113:H21, nas condições avaliadas, não apresentam comportamento diferente da cepa de coliforme termotolerante, e que produtos lácteos apresentam-se como veículo em potencial de STEC O113:H21.

Palavras-chave: STEC O113:H21, sobrevivência, produtos lácteos.

MARIANA DOS SANTOS LOPES

OCORRÊNCIA E ESTUDO TAXONÔMICO DE ACANTOCEPHALA PARASITOS DE PEIXES PROVENIENTES DO RESERVATÓRIO DA USINA HIDRELÉTRICA DE ITAIPU BINACIONAL E DO SEU HABITAT NATURAL, RIO PARANÁ.

ORIENTADORES: Prof. Dr.Otilio Machado Pereira Bastos
                                  Prof.ª Dr.ª Simone Cohen
                                  CO-ORIENTADORA: Prof.ª Dr.ª Anna Kohn

Aprovada em abril de 2010

RESUMO:
A prática da piscicultura no Brasil iniciou, sobretudo, nos represamentos originados com a construção de grandes hidrelétricas. Os represamentos tornam-se um habitat confinado de peixes e outros organismos aquáticos, o que pode causar desequilíbrio no sistema auto-imune destes organismos, abrindo portas para agentes biológicos como os helmintos. Os helmintos estudados no presente trabalho pertencem ao filo Acanthocephala e foram coletados no intestino de peixes provenientes do rio Paraná em seu habitat natural e no reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional nas localidades de Foz do Iguaçu, Santa Helena, Guaíra e Missal. As espécies coletadas foram Bergiaria westermanni (Lütken, 1874) – “mandi-beiçudo”; Hypostomus regani (Ihering, 1905) – “cascudo”; Hypostomus cochliodon Kner, 1854 – “cascudo”; Pimelodus maculatus Lacèpéde, 1803 – “mandi-amarelo”; Prochilodus lineatus (Valenciennes, 1836) – “curimbatá”; Schizodon fasciatus Spix & Agassiz, 1829 – “piava”; Schizodon knerii (Steindachner, 1875) – “piau-moça”; Oxydoras kneri Bleejer, 1862 – “abotoado”; Locaricaria sp. – “cascudo” e Brycon orbignyanus (Valenciennes, 1850) – “piracanjuba”. Nestes hospedeiros foram coletadas cinco espécies de Acanthocephala: Gorytocephalus elongorchis Thatcher,1979, Neoechinorhynchus (Neoechinorhynchus) curemai Noronha, 1973, Neoechinorhynchus (Neoechinorhynchus) pimelodi Brasil-Sato & Pavanelli, 1998, Octospiniferoides incognita Schmidt & Hugghins, 1973 e Paracavisoma impudica (Diesing, 1851) Kritscher, 1857. Na presente dissertação as espécies parasitas de peixes foram redescritas, adicionando dados morfométricos. Neste estudo são apresentadas ainda três novas ampliações geográficas e seis novos hospedeiros.

Palavras-chaves: Acanthocephala. Rio Paraná. Parasitas de peixes.

MATHEUS FELIPE LEAL DE BARROS

AVALIAÇÃO DA FORMAÇÃO DE BIOFILME E RESISTENCIA ANTIMICROBIANA POR CEPAS DE Staphylococcus epidermidis ISOLADOS DE HEMOCULTURAS EM HOSPITAIS PÚBLICOS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Orientador: Prof. Dr. Aloysio de Mello Figueiredo Cerqueira

Aprovada em março de 2009.

RESUMO
Staphylococcus epidermidis está envolvido em infecções associadas a dispositivos médicos e sepse hospitalar. Sua capacidade de causar quadros persistentes e reincidentes se relaciona à formação de biofilmes, em superfícies inertes, como cateteres e próteses. A formação de biofilme é considerada o principal fator de virulência destas amostras, protegendo as células dos mecanismos de defesa do hospedeiro e da ação de antimicrobianos. O operon ica codifica um polissacarídeo extracelular de aderência, associado à formação de biofilme. Entretanto, amostras ica-negativas podem formar biofilme de maneira menos intensa, devido à presença de outras estruturas envolvidas na aderência tais como as proteínas codificadas pelos genes atlE (proteína envolvida na aderência inicial) aap (proteína associada a acúmulo) e bap ( proteína associada ao biofilme) Outro fator importante nas infecções estafilocócicas é a multirresistência a antimicrobianos, em especial à oxacilina, codificada pelo gene mecA. Objetivo: detectar, em isolados de S. epidermidis oriundos de hemocultura, a presença dos genes icaAD, atlE , aap, bap, além do gene mecA e do perfil de susceptibilidade antimicrobiana. Neste estudo foram analisadas 76 amostras de S. epidermidis isoladas de hemocultura, 60 de pacientes internados no Instituto Nacional do Câncer, RJ, e 16 internados no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), RJ. Foram testados 13(treze) antibióticos pelo método de disco difusão de acordo com as regras do CLSI. Ensaios de PCR foram utilizados para a detecção dos genes. Das amostras estudadas 69 (90,7%) amostras foram resistentes a penicilina,52 (68,4%) a oxacilina, 51 (67,1%) a eritromicina, 40 ( 52,6%) a gentamicina, 39(51,3%) a clindamicina e ciprofloxacina, 28 (36,8%) a cloranfenicol, 16 (21%) a tetraciclina, 15 ( 19,7%) a mupirocina, 7 (9,2%) a rifampicina, 5 ( 6,6%) a teicoplanina e não foi detectada resistência a linezolida e vancomicina. 68,4% das amostras apresentaram positividade para o gene mecA, 89, 5% para atlE, 38,1% para aap e icaAD e 3,9% foram positivas para o gene bap. Os ensaios de RAPD revelaram a diversidade das amostras dispostas em 25 tipos, no entanto, 43 (56,6%) das amostras se agruparam em quatro tipos principais.

PRISCILA AKEMI MORETTI NAKAMURA

Resistência aos antimicrobianos entre amostras de Streptococcus agalactiae isoladas de espécimes do trato genitourinário

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Rosana Rocha Barros

Aprovada em abril de 2010.

RESUMO
Streptococcus agalactiae (estreptococos do grupo B - EGB) é uma das espécies de estreptococos de maior relevância clínica. Membro da microbiota de mucosas, coloniza os tratos gastrintestinal e genitourinário humanos, podendo causar infecções em neonatos, gestantes e adultos não grávidos, principalmente entre indivíduos com idade avançada, imunodebilitados, dentre outros fatores de risco. Infecções urinárias por EGB compreendem uma das manifestações mais freqüentes, acometendo indivíduos de todas as idades. O objetivo desse estudo foi avaliar, entre amostras de EGBs isoladas de espécimes do trato genitourinário de indivíduos não grávidos, o perfil de resistência aos antimicrobianos recomendados para tratamento das infecções causadas por esta espécie, bem como estudar características genéticas entre amostras que apresentaram resistência ao antimicrobiano eritromicina. Foram analisadas 100 amostras isoladas a partir de espécimes do trato genitourinário [secreção vaginal (49), urina (30), esperma (17), outras secreções (4)], de indivíduos não grávidos (73 do sexo feminino e 27 do sexo masculino, com faixa etária variando de 6 a 79 anos) residentes na área metropolitana do Rio de Janeiro, entre 2008 e 2009. As amostras foram caracterizadas como cocos Gram positivos, beta-hemolíticas, capazes de hidrolisar o hipurato e em 98% o fator CAMP foi detectado. As amostras foram submetidas ao teste de susceptibilidade a antimicrobianos, pelo método de difusão em agar. Todas as amostras foram sensíveis à ceftazidima, penicilina e vancomicina. Foi observada resistência à levofloxacina em uma amostra, cuja concentração mínima inibitória (CMI) foi superior a 32 ?g/mL, através do teste epsilométrico (E-test?). A resistência plena e intermediária à tetraciclina ocorreu em 83 e 6 amostras respectivamente. A resistência à eritromicina foi observada em 11 amostras, que apresentaram os fenótipos M (2), MLSB indutivo (4) e MLSB constitutivo (5), este último conferindo também resistência à clindamicina. Foi ainda observada resistência intermediária à eritromicina em 4 amostras, com os fenótipos M (1) e MLSBi (3). Todas as amostras que apresentaram resistência plena ou intermediária à eritromicina foram resistentes, pelo método de difusão em agar, à tetraciclina e à azitromicina. As amostras resistentes à eritromicina foram submetidas à determinação da CMI pelo método de diluição em agar, cujos valores variaram entre 0,5 a > 256 g/mL. Houve discrepância de interpretação entre as duas metodologias utilizadas em três amostras. As amostras resistentes à eritromicina foram submetidas à pesquisa de determinantes genéticos de resistência. As amostras com fenótipo M (3) apresentaram o produto de amplificação compatível com o esperado para o gene mefA/E. O gene ermA foi observado nas amostras com fenótipo MLSBi (5) e MLSBc (4), enquanto o gene ermB foi encontrado somente em uma amostra, cujo fenótipo foi MLSBi e apresentou simultaneamente dois genes de resistência (ermA e ermB). Outra amostra de fenótipo MLSBi também albergou simultaneamente os genes ermA e mefA/E. Uma amostra cujo fenótipo foi MLSBc não gerou nenhum produto de amplificação após as reações com os iniciadores utilizados. Empregando-se a metodologia de RAPD-PCR, observou-se diversidade tanto entre amostras resistentes como entre amostras sensíveis à eritromicina, porém, notou-se a presença de perfis genéticos de significativa similaridade entre amostras que albergam diferentes determinantes genéticos de resistência, assim como entre amostras resistentes e sensíveis a este antimicrobiano, indicando que a aquisição destes genes não provocou alterações no genoma detectáveis pela metodologia utilizada, ou ainda, que estes eventos ocorrem de forma aleatória na população de amostras circulantes, não sendo capazes, portanto, de determinar a ocorrência de grupos clonais específicos.

RAFAELA LOPES DINIZ

ESTUDO COMPARATIVO DE PROTOCOLOS E MEIOS DE CULTIVO PARA ISOLAMENTO DE Leptospira sp.

Orientador: Prof.Dr. Walter Lilenbaum.

Aprovada em agosto de 2011.

RESUMO
A leptospirose é uma doença bacteriana de caráter zoonotico, que possui uma ampla distribuição geográfica onde pode acometer animais domésticos, silvestres e o homem. A soroaglutinação microscópica (SAM) é o método recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para o diagnóstico da enfermidade. Apesar disso, para um maior avanço nos estudo epidemiológico e em vacinologia deve-se recorrer ao isolamento do agente. O presente estudo busca fazer uma avaliação comparativa entre os diferentes protocolos e meios de cultivos descritos, na busca de um aprimoramento da metodologia. Nove amostras de urina humana, recém-emitidas, foram contaminadas experimentalmente com Leptospira interrogans serovares Grippotyphosa, Icterohaemorrhagiae e Hardjo nas concentrações de 102, 105 e 108 leptospiras por mL. Tais amostras foram submetidas a três protocolos de seleção com: diluição seriada, coquetel de antibióticos e filtração (0,22µm). Em seguida foram inoculados em quatro meios de cultivo: EMJH, EMJH acrescido de 5-Fluoruracil, Fletcher e EMJH Tween 40/80/LH. Os cultivos foram analisados semanalmente por até quatro meses. O protocolo de diluição seriada teve 22/36 (61,1%) de amostras isoladas; já o protocolo de seleção por meio de coquetel com antibiótico obteve 10/36 (27,7%) isolados, e o protocolo de filtração obteve 1/36 (2,7%) isolado. O protocolo de diluição seriada obteve diferenças significativas quando correlacionado ao protocolo de seleção por meio de coquetel de antibiótico (p=0.0086) e ao protocolo de seleção por filtração (p<0.0001). Os protocolos de seleção por coquetel de antibiótico e protocolo de seleção por filtração obtiveram diferenças significativas (p=0.0065). Não houve diferenças significativas entre os meios nos três protocolos testados. Independentemente do meio de cultivo a ser utilizado no isolamento de leptospiras, deve-se priorizar o tipo de protocolo a ser empregado. No presente estudo o protocolo de diluição seriada obteve resultados significativos, sendo recomendado para ampliar as chances de sucesso no isolamento do agente.

Palavras-chave: Leptospira, isolamento, meios de cultivo.

REBECA VAZQUEZ NOVO MARTINS

Detecção de Betaherpesvírus em Transplantados Renais com Hiperplasia Oral

Orientadora: Profa Dra Silvia Maria Baeta Cavalcanti

Aprovada em março de 2011.

RESUMO
Nas últimas décadas, a aplicação de técnicas de biologia molecular levou à compreensão de várias patologias associadas a agentes infecciosos nos pacientes receptores de transplantes já que os sinais e sintomas são usualmente diferentes e possivelmente mais graves do que os apresentados pelos indivíduos imunocompetentes. A hiperplasia oral é uma patologia comum entre os pacientes receptores de transplante e é normalmente associada ao regime imunossupressor, especialmente ao uso de Ciclosporina (CsA). Recentemente foi proposto que apesar de ainda serem idiopáticas, estas lesões podem estar associadas a efeitos indiretos da ação de microorganismos e os herpesvírus foram sugeridos como importantes cofatores. Logo, o objetivo do nosso estudo foi avaliar a presença dos betaherpesvírus nestas lesões contribuindo assim para a elucidação desta patologia oral. Em nosso estudo, utilizamos a técnicas de Reação em cadeia da Polimerase a fim de detectar a presença dos Herpesvírus Humanos 6 e 7, além do Citomegalovírus, em amostras de tecido e saliva de pacientes transplantados, comparando-as com as de indivíduos saudáveis. Nossa casuística foi composta por 87 pacientes atendidos no Hospital Pedro Ernesto. Entre estes 51 pacientes eram receptores de transplante renal, que foram subdivididos em três subgrupos: Grupo A, que utiliza ciclosporina e apresenta lesão oral, Grupo B, que utiliza o mesmo imunossupressor, mas não apresenta leão oral, e Grupo C, que utiliza o tacrolimus um novo imunossupressor. Grupo D foi composto de 36 de indivíduos saudáveis. Encontramos uma diferença estatisticamente significante para a prevalência da variante A do HHV6 no grupo A quando comparados aos indivíduos saudáveis (p=0,033), e o HHV6B foi significativamente relacionado ao grupo B (p=0,017), sugerindo um poss[ivel papel transativador destes vírus nos pacientes receptores de transplante. A prevalência do CMV nos indivíduos saudáveis foi maior do que a observada para os pacientes transplantados entretanto as mesmas não foram estatisticamente significantes. As coinfecções foram mais frequentes entre os indivíduos transplantados (Grupos A, B e C) e o CMV foi o vírus mais prevalente entre elas, usualmente associado ao HHV6, reforçando a idéia de qu os Betaherpesvírus podem transativar a infecção um do outro. Para o HHV7 detectamos frequências similares entre os grupos (p>0,05). Nós também usamos a saliva, como uma possível amostra não-invasiva, visando a substituição das biópsias teciduais. Entretanto, não encontramos correlação estatística entre elas e estudos futuros são necessários para avaliar as amostras de saliva como possíveis marcadores de infecção na clínica. A padronização da amostra a ser utilizada, e das técnicas moleculares, são necessário para analisar possíveis interações entre os diferentes agentes microbianos para definir o papel dos mesmos no cenário pós-transplante.

Palavras chave: Transplante renal, HHV-6, HHV-7, CMV, tacrolimo, ciclosporina.

TATIANA DA SILVA FONSECA

CARACTERIZAÇÃO DE AMOSTRAS DE Trypanosoma cruzi ISOLADAS DE PACIENTES CHAGÁSICOS CRÔNICOS EM ACOMPANHAMENTO NO INSTITUTO DE PESQUISA CLÍNICA EVANDRO CHAGAS (IPEC-FIOCRUZ)

Orientadores: Profª Dra Maria Auxiliadora de Sousa
                          Prof. Dr. Otílio Machado Pereira Bastos

Aprovada em abril de 2010.

RESUMO:

No presente trabalho foram estudados nove isolados de Trypanosoma cruzi obtidos por hemoculturas de pacientes chagásicos crônicos em acompanhamento no Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC, FIOCRUZ). Estes pacientes procederam de diferentes regiões do Brasil (BA, PE, MG, PB e RS). Três deles apresentavam a forma clínica cardíaca, e os demais sintomatologia indeterminada. Os objetivos deste estudo foram: a) caracterizar estes isolados utilizando técnicas parasitológicas, bioquímicas e moleculares; b) identificar afinidades entre estes isolados e cepas de referência de T. cruzi; c) verificar a possibilidade de correlações destes isolados com subgrupos de T. cruzi identificados pelas técnicas acima citadas, além das formas clínicas obtidas pelos pacientes. Os nove isolados cresceram a 27ºC cultivados em meio monofásico (LIT) ou bifásico (NNN+LIT suplementado com 20% SFB) e receberam números-código diferentes na Coleção de Tripanossomatídeos (CT-IOC). Todos foram estudados por parâmetros morfobiológicos (diferenciação celular e biometria), bioquímicos (perfil eletroforético de isoenzimas) e moleculares (produtos de amplificação por PCR de sequências de minicírculos do kDNA e genes de mini-exons). Cepas de referência de T. cruzi da Coleção de Tripanossomatídeos foram incluídas no trabalho para comparação. Com exceção de um isolado, as amostras em estudo foram capazes de crescer em meio LIT, característica comum entre cepas/clones de T. cruzi. Todas cresceram em NNN+LIT. Em meio LIT, apenas quatro amostras completaram a metaciclogênese; três outras só o fizeram em NNN+LIT, enquanto uma não produziu metacíclicos nas condições examinadas, mas o fez em triatomíneos. As análises morfológicas e biométricas dos nove isolados confirmaram sua identidade como T. cruzi considerando-se estágios evolutivos observados, comprimento total de tripomastigotas e dimensões dos cinetoplastos de epimastigotas. As nove amostras compartilharam padrão isoenzimático com três das cepas de referência de T. cruzi incluídas neste trabalho, evidenciando-se zimodemas distintos entre as amostras analisadas, sendo seis delas associadas à cepa Y (Z2), duas ao clone CL Brener (ZB) e uma ao Dm28c (Z1). Todas as amostras geraram um produto amplificado de 330pb através da análise de minicírculos, confirmando sua identificação específica. Os produtos amplificados pelo gene de mini-exon evidenciaram que oito amostras poderiam ser classificadas no subgrupo Tc II e apenas uma no Tc I. Entretanto duas amostras do subgrupo Tc II, foram reclassificadas no Tc VI considerando a mais recente proposta de subdivisão em T. cruzi. No momento, não foi possível identificar correlações estritas entre as características dos isolados e formas clínicas da doença de Chagas, porém, três amostras obtidas de pacientes com a forma cardíaca foram classificadas no subgrupo Tc II.

Palavras chaves: Doença de Chagas. Trypanosoma cruzi. Hemoculturas. Culturas axênicas. Morfologia. Biometria. Metaciclogênese. Isoenzimas. Reação em Cadeia da Polimerase. Minicírculos do kDNA. Gene de mini-exon.Variabilidade intraespecífica. Subgrupos de Trypanosoma cruzi.

 

 

VIVIANE CARVALHO SOUZA

ASPECTOS DA RESISTÊNCIA AOS ANTIMICROBIANOS, VIRULÊNCIA E DIVERSIDADE GENÉTICA DE CEPAS DE Streptococcus agalactiae ISOLADAS DE GESTANTES E RECÉM-NATOS

Orientador: Profa. Dra. Rosana Rocha Barros

Aprovada em 26 de maio de 2011.

RESUMO
Streptococcus agalactiae ou estreptococo do grupo B (EGB), componente da microbiota intestinal e geniturinária humana, tem relevância médica como importante agente de infecção em recém-natos (RN) e gestantes. Apesar da tradicional relação com estes hospedeiros, o EGB tem apresentado importância crescente entre adultos não-grávidos e idosos. A infecção neonatal tem como fator predisponente a colonização materna e pode seguir dois padrões, precoce e tardio, manifestando-se principalmente sob as formas de pneumonia, sepse e meningite. O uso da quimioprofilaxia intravenosa intraparto para a prevenção da infecção neonatal iniciou-se na década de 1980, sendo a penicilina a primeira escolha e, para gestantes alérgicas, cefazolina, eritromicina, clindamicina ou vancomicina como terapia alternativa. Tem sido observado um aumento na resistência de EGB a antimicrobianos como eritromicina e clindamicina. Os mecanismos de resistência aos macrolídeos incluem o efluxo ativo e a modificação do sítio alvo, codificados pelos genes mef e erm, respectivamente. Outro ponto de grande interesse é o repertório de moléculas que atuam como fatores de virulência de EGB. O objetivo desse estudo foi avaliar, entre 106 cepas de EGB isoladas na rotina de laboratórios clínicos, a partir de espécimes oriundos de RN (sangue e secreção umbilical) e de gestantes (secreção vaginal e urina), o perfil de susceptibilidade aos antimicrobianos, investigar por PCR os determinantes genéticos de resistência a macrolídeos e os genes bac e bca, envolvidos na virulência e determinar a relação genética de 35 cepas representativas empregando a análise do polimorfismo do DNA após tratamento com enzimas de restrição e eletroforese em gel em campo pulsado (PFGE). Após confirmação da espécie, as cepas foram submetidas ao teste de susceptibilidade aos antimicrobianos pelo método de difusão em agar. As cepas foram susceptíveis a maioria dos antimicrobianos testados (ceftriaxona, clindamicina, levofloxacina, penicilina e vancomicina), com exceção da tetraciclina (4,7% intermediárias, 86,8% resistentes) e da eritromicina (4,7% resistentes). As cepas resistentes à eritromicina expressaram o fenótipo MLSB indutivo e albergavam o gene ermA. A detecção dos genes bac e bca ocorreu em 6,6% e 13,2% das cepas analisadas, respectivamente. Os perfis de fragmentação do DNA foram distribuídos em cinco grupos clonais (A a E). Em alguns destes grupos (A, B e E) foram observados perfis que diferiram entre 1-3 bandas, totalizando 11 perfis. Entretanto, a maioria das cepas pertenceu aos grupos A (21 cepas, 60%) e B (10 cepas, 28,6%). Duas cepas, isoladas de uma gestante e de seu RN apresentaram o mesmo perfil de PFGE (A2), evidenciando a transmissão vertical. Cepas oriundas de sítios de colonização apresentaram maior diversidade de perfis quando proporcionalmente comparadas àquelas isoladas de infecção. Todas as cepas resistentes à eritromicina pertenceram ao grupo clonal B, porém neste mesmo grupo foram encontradas cepas sensíveis a este antimicrobiano. As características genéticas comuns entre tais cepas evidenciam a disseminação de um único clone, porém este clone não foi exclusivo de cepas resistentes a macrolídeos.